"Vão
e façam discípulos de todas as nações"
O Rei
estava subindo ao seu trono. Seu plano de governo foi bem definido.
Seu direito a reinar foi inegavelmente estabelecido. Seus embaixadores
já foram escolhidos. Agora, a hora de governar chegou. Mateus 28:18-20
apresenta claramente a mensagem fundamental do reino messiânico,
dada quando o Soberano Salvador enviou representantes ao mundo. Vamos
examinar este texto e suas implicações para os discípulos
de Cristo nos dias de hoje.
O
Fundamento Montanhoso: Toda a Autoridade (18)
A
afirmação feita por Jesus aos apóstolos é
absoluta. Toda a autoridade que seria dada ao descendente de Davi, o mesmo
que estabeleceria seu reino eterno, está agora nas mãos
de Jesus. Ele venceu o pecado e o diabo na cruz, e agora assume seu papel
como Rei dos reis. A coroação deste Rei foi pre-ordenada
por Deus e comunicada pelo salmista 1.000 anos antes da vinda de Jesus:
"Eu, porém, constituí o meu Rei sobre o meu santo monte
Sião" (Salmo 2:6). A afirmação do Cristo de
ter recebido autoridade absoluta se encaixa perfeitamente na imagem de
Daniel de uma pedra, cortada sem auxílio de mãos, que esmaga
as autoridades menores e se transforma numa montanha que enche a terra
(Daniel 2:35,44-45). Agora, afirma Jesus, "o monte da casa do Senhor"
está sendo estabelecido acima dos montes e colinas de autoridade
humana. Agora, a palavra do Senhor sairá de Jerusalém espiritual
para todas as nações (Isaías 2:2-4; Gálatas
4:26; Hebreus 12:22-23).
Ninguém
jamais pode realmente chegar a Jesus sem reconhecer a autoridade absoluta
que pertence exclusivamente a ele. Ele é o Salvador, mas ele também
é o Senhor. Ele manda embora os nossos pecados, mas ele também
manda que nós o obedeçamos. Entramos numa relação
especial e pessoal com aquele que nos chama de irmãos; mas entramos
também numa relação de submissão àquele
que nos governa como seus sujeitos e servos. O reino dele não é
uma democracia que faz leis sujeitas a aprovação popular;
é uma monarquia com um Rei benevolente que exerce autoridade absoluta.
No
mundo atual, com sua ênfase em liberdade, independência e
satisfação egoísta, a mensagem da autoridade absoluta
do Rei espiritual não agrada a muitos. Homens e mulheres gostariam
de moldar uma nova imagem de Jesus, destacando as características
que acham mais agradáveis. Falam sobre amor, bondade, generosidade,
bênçãos e amizade do Salvador, mas negligenciam questões
de autoridade, regras e obediência ao Senhor.
Ide,
Portanto...(19)
O
fato da autoridade de Cristo exige ação. Jesus não
é apenas uma figura histórica interessante. Não aprendemos
dele de uma maneira puramente acadêmica. Quando encontrarmos o Cristo,
nossas vidas mudarão. Ou nós o rejeitaremos ou seremos impelidos
a agir pelos mandamentos dele. A conjunção conclusiva "portanto"
sugere tal motivação. Quando ele olhou para os onze galileus
ao seu redor, Jesus lhes disse como este "portanto" determinaria
o curso de suas vidas: "Ide, portanto, fazei discípulos de
todas as nações". Esta incumbência apostólica,
cumprida por um punhado de homens convictos de que o Messias estivesse
com eles, mudaria o mundo. Jesus mandou que levassem a mensagem ao mundo
inteiro, e pretendia que a sua ordem fosse plenamente obedecida. Ele não
perdeu tempo ouvindo desculpas, e nada no texto sugere que eles oferecessem
argumento algum. O Rei enviou os seus embaixadores, e já tinha
dito que o evangelho seria pregado ao mundo inteiro naquela geração
(Mateus 24:14.34). Uns 30 anos depois, o apóstolo Paulo disse que
esta missão fora cumprida quando falou "do evangelho que ouvistes
e que foi pregado a toda criatura debaixo do céu" (Colossenses
1:23).
Fazei
Discípulos (19-20)
A
ordem de fazer discípulos é descrita por dois gerúndios
que mostram o que é necessário para fazer discípulos
de Cristo: batizando (19) e ensinando (20). Algumas pessoas têm
interpretado mal este texto, sugerindo uma lista de três passos
sucessivos (Fazer discípulos - batizar - ensinar). Certamente devemos
continuar ensinando depois do batismo do novo discípulo, mas não
é o ponto fundamental deste texto. Para se tornar discípulo
de Cristo, a pessoa precisa ser batizada para remissão dos pecados
e precisa ser ensinada "a guardar todas as coisas" que Jesus
tem ordenado. Vamos pausar para considerar esses dois requisitos do processo
de fazer discípulos.
Batizar
em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Devemos destacar
dois fatos aqui:
Jesus
deu importância ao batismo. Muitas doutrinas hoje tratam o batismo
como ato de pouca importância, até sugerindo que ele não
tem lugar no plano de Deus para a nossa salvação. Tais idéias
não vêm de Jesus. Aqui ele apresenta o batismo como necessário
para ser discípulo dele, e sabemos que ninguém será
salvo sem ser seguidor de Jesus (Atos 4:12). Em Marcos 16:16, Jesus disse
que precisamos crer e ser batizados para sermos salvos. Ele mandou que
os apóstolos pregassem a mesma mensagem, e eles foram obedientes
ao Senhor. Pedro disse em Atos 2:38: "Arrependei-vos, e cada um de
vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão
dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo."
Em Atos 10:48, ele "ordenou que fossem batizados em nome de Jesus
Cristo". O apóstolo Paulo tratou o batismo com urgência
no seu trabalho (veja Atos 16:32-33; 18:8; 19:5). Outros pregadores do
Novo Testamento proclamaram a mesma mensagem, afirmando a necessidade
do batismo para a salvação do pecador. Filipe ensinou a
necessidade da fé e do batismo (Atos 8:12-13; 36-38). Ananias perguntou
a Saulo: "E agora, por que te demoras? Levanta-te, recebe o batismo
e lava os teus pecados, invocando o nome dele" (Atos 22:16).
Devemos
ser batizados em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo. No
batismo, entramos em comunhão com Deus. Aqui, como em várias
outras passagens, Deus se apresenta como três pessoas eternas e
perfeitamente unidas. Entramos em Cristo no batismo (Gálatas 3:27).
Assim obedecendo à palavra dele, somos privilegiados, também,
por entrar em comunhão com o Pai (João 14:23) e com o Espírito
Santo (1 Coríntios 6:19-20). A linguagem de Jesus descreve a grande
bênção de ser primogênitos, membros da família
de Deus (Hebreus 12:23). Algumas igrejas têm inventado novas doutrinas
sobre o batismo, usando versículos como Mateus 28:19 ou Atos 10:48
para defender algum tipo de fórmula de batismo. Algumas dizem que,
no momento do batismo, é necessário falar as palavras exatas
de Mateus 28:19: "em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito
Santo". Outras insistem que o batismo só tem validade se falar
as palavras de Atos 10:48: "em nome de Jesus Cristo". Mas estes
trechos não se contradizem. Quando os apóstolos batizaram
em nome de Jesus, eles obedeceram à palavra dele e agiram pela
autorização que ele deu. O resultado foi exatamente o que
ele prometeu: comunhão com o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
É ridículo sugerir algum tipo de conflito entre Mateus 28
e os batismos realizados pelos apóstolos.
Ensinar
a guardar todas as coisas que Jesus ordenou. Depois de ser convertido,
o servo de Cristo continuará a vida toda crescendo na compreensão
da vontade de Cristo, mas o ponto que Jesus frisa em Mateus 28:20 é
um de compromisso. No momento de sua conversão, ninguém
entende tudo. De fato, cada cristão deve se esforçar para
crescer no conhecimento da palavra durante toda a sua vida (2 Pedro 3:18).
Algumas igrejas até exigem cursos de meses ou anos de duração
antes de uma pessoa se batizar, certamente tentando diminuir a possibilidade
dela desistir depois. Qualquer pessoa deve estudar o bastante para entender
quem é Jesus e como obedecer a vontade dele. Mas encontramos casos
nas Escrituras nos quais as pessoas ouviram o evangelho e tomaram suas
decisões até no mesmo dia (Atos 2:37-41; 8:35-38; 16:32-33).
Devemos ter cuidado para ensinar tudo que é necessário,
mas nossa cautela não deve chegar ao extremo de dificultar ou impedir
a salvação de ninguém.
O
ponto de ensinar as pessoas "a guardar todas as coisas" que
Jesus ordena é mostrar-lhes como se deve assumir um compromisso
solene com o Senhor. Uma ilustração ajuda. Quando a minha
mulher se casou comigo, ela prometeu me "amar, honrar e obedecer".
Será que ela, naquele dia, já sabia tudo que eu pediria
durante toda a nossa vida juntos? Claro que não! Ela não
sabia o conteúdo de todos os pedidos do marido, mas assumiu um
compromisso de submissão à pessoa. Quando olhamos para Cristo,
o cabeça da igreja, devemos prontamente assumir um compromisso
de obediência absoluta a ele. A pessoa que recusa fazer isso não
está pronta para seguir a Jesus.
O
Processo Continua
As
palavras de Jesus em Mateus 28:18-20 foram dirigidas aos apóstolos,
e não diretamente a nós. Mas o mesmo fato que exigia ação
deles exige a mesma de nós. Em primeiro lugar, temos que nos tornar
discípulos, voltando para Cristo, aceitando o perdão que
ele oferece por meio do batismo e prometendo nossa plena obediência
a ele. Então, devemos comunicar as boas novas de Jesus aos outros.
Nossa incumbência de evangelizar vem de passagens como 2 Timóteo
2:2, onde o evangelho é transmitido de uma geração
para outra, e de Hebreus 5:12, onde o autor introduz um sentido de "dever"
na vida de cada discípulo. Da mesma maneira que o trabalho de Paulo
preenchia o que resta das aflições de Cristo (Colossenses
1:24), temos um papel essencial na evangelização de almas
carentes da nossa geração. Como os cristãos de hoje,
somos a Jerusalém donde a palavra precisa sair.
Como
ou Por Quê?
É
fácil se preocupar com questões de como evangelizar, mas
isso não é o ponto que Jesus enfatizou. Ele começou
com o porquê, e nós devemos começar no mesmo lugar.
Se verdadeiramente compreendermos e apreciarmos o porquê do nosso
trabalho, teremos a motivação necessária para ensinar
bem aos outros. Tudo começa com a pessoa e a posição
do Cristo.
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